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A Loba de Ray-Ban
A Loba de Ray-Ban
A peça é Medeia de Eurípedes, durante a encenação a atriz principal interrompe o espetáculo e expõe ao público toda a sua crise existencial e afetiva, ao seu lado no palco está o ex-marido, com o qual viveu um casamento de 10 anos.

Assim tem início a trama de “A Loba de Ray-ban”, um triangulo amoroso vivido por Christiane Torloni, a atriz empresária Julia Ferraz, Paulo Prado o ex-marido e sócio da companhia teatral, interpretado por Leonardo Franco e a atriz Maria Maya que na peça vive Fernanda Porto a atual namorada de Julia.

Esta é a versão feminina da peça que foi encenada há 22 anos e tinha como ator principal Raul Cortez, o Lobo. Na ocasião, Christiane interpretava a ex- mulher e Leonardo o jovem amante da temporada carioca. A direção da peça, como em 1987, fica por conta de José Possi Neto, que vê pouca semelhança entre as duas montagens.

“As diferenças são todas. Eu não sou o mesmo Possi, Christiane e Leonardo também não o são, crescemos e amadurecemos como artistas e como seres humanos.” A pedido de Dina Sfat, na mesma época em que escreveu o Lobo de Ray-ban”, Renato Borghi fez a versão feminina da peça. Para o autor foi como reescrever todo o texto, já que o conflito passou a ser embasado pelos sentimentos de uma mulher, além disso, precisou substituir os textos da dramaturgia mundial, citados no espetáculo, por outros com grandes personagens femininas.

A versatilidade do cenário e a iluminação são um espetáculo a parte. No palco Christiane Torloni impressiona pela grande atriz que é, dá um show de interpretação e expressão corporal. Durante a peça o trio discute o sexo, o prazer e a homossexualidade de Julia Ferraz, que a fez se sentir solitária em muitos momentos do casamento.

Entre a protagonista e as outras personagens, há cenas de bastante erotismo. Mas acima de tudo, o espetáculo aborda a condição humana, a paixão pela vida e profissão, a ambição, o medo, o desejo e a solidão. Julia Ferraz desesperada tenta segurar de todas as formas o que ainda lhe resta, a Companhia Teatral e o amor revitalizante de Fernanda.

Ao interromper a arte para expor a vida de três personagens em um triangulo amoroso, a peça brinca com a possibilidade de representar. Afinal até que ponto a vida não é um grande espetáculo.
Teatro Shopping Frei Caneca
R. Frei Caneca, 569, 6º andar – Consolação
Tel.: (11) 3472-2229
Horário: quinta e sábado às 21h; sexta às 21h30; domingo às 19h.
   

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