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Seis meses depois de começar a vigorar, as novas regras para tirar a carteira de habilitação se mostram eficazes no objetivo de preparar melhor o motorista brasileiro. Enquanto no mercado internacional muitas fábricas de veículos tiveram que fechar suas filiais ou demitir funcionários, no Brasil o governo concedeu incentivos fiscais que não só garantiram o emprego dos trabalhadores do setor, como também foi o responsável pelo recorde na venda veículos. Somente no ano passado, foram emplacados mais de 3 milhões de carros zero Km, isto levando em conta apenas os chamados carros de passeio, sem contar com veículos de uso comercial como ônibus e caminhões.
Diante deste crescimento na venda de automóveis, não são necessários grandes estudos para concluir que o número de motoristas também cresceu muito. Aumentando o número de condutores em tráfego nas ruas e estradas do país, e por consequência, potencializando ainda mais os riscos de acidentes e mortes no trânsito. Com isso, fica fácil entender a postura do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), ao editar a Resolução 285 criando novas e mais rigorosas regras para se tirar a carteira de habilitação. Desde 1º de janeiro deste ano, os chamados cursos de formação de condutores (CFC) passaram a funcionar sob as novas normativas.
De acordo com Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), entre as principais mudanças nas regras, está a carga horária das aulas teóricas que passaram de 30 para 45 horas, e as aulas práticas que passaram de 15 para 20 horas, no mínimo. As aulas sobre legislação de trânsito tiveram sua carga horária aumentada de 12 horas/aula para 18 horas/aula. O curso de direção defensiva teve um aumento de 8 horas/aula para 16 horas/aula. E o de noções sobre o funcionamento do veículo de duas ou mais rodas teve carga horária de 2 horas/aula para 3 horas/aula.
O conteúdo das aulas teóricas foi ampliado e aprofundado em assuntos como direção de veículos em situação de risco, equipamentos de segurança do condutor motociclista, condução de motocicletas com passageiro e ou cargas, cuidados com a vítima motociclista e as conseqüências do consumo de bebida alcoólica e substâncias psicoativas. Os alunos que forem tirar a habilitação para dirigir carro também assistem às aulas teóricas sobre motos e vice-versa.

O curso de prática de direção para motocicleta passou a ter permissão para ser realizado em via pública. Mas para tanto, é necessário que a instrução seja feita preliminarmente em circuito fechado até o pleno domínio do veículo. Todos os candidatos realizam a prática de direção mesmo em condições climáticas adversas, como na chuva, nevoeiro ou noite. Segundo a maioria dos especialistas da área, essas mudanças foram de extrema importância na tentativa de reverter à atual realidade no trânsito.
Mas também são unânimes em afirmar que a maior mudança deve ocorrer na “cabeça” da maioria dos motoristas, no sentido de terem consciência efetiva de que ao conduzir um veículo pelas vias da cidade, estão utilizando um meio de transporte perigoso se não respeitado os limites e normas, e que se tornam responsáveis diretos não só por suas vidas, mas também pelas vidas de todos que trafegam junto a eles. |