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Em cada canto do Brasil é possível defini-la por um sinônimo regional, mas nunca deixará de ser a queridinha do país
Conhecida como abrideira, aca, água-benta, água-bruta, água-de-briga, água-de-cana, água-que-passarinho-não-bebe, aguardente, aninha, arrebenta-peito, assovio-de-cobra, azuladinha, bagaceira, baronesa, birita, borbulhante, branca e branquinha, não importa o nome a cachaça é a bebida tipicamente brasileira. É feita da fermentação e destilação do melaço proveniente da cana-de-açúcar e foi descoberta pelos escravos dos engenhos de açúcar em meados do século XVI. Era considerada uma bebida de baixo status perante a sociedade, pois era consumida apenas por escravos e brancos pobres, enquanto a elite brasileira da época preferia vinhos e a bagaceira (aguardente de bagaço de uva), trazidos de Portugal.
Mas hoje em dia esse conceito mudou. Agora a cachaça faz parte da carta de bebidas dos principais estabelecimentos da cidade e conquistou não apenas algumas classes sociais, mas sim o gosto nacional.
De acordo com dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Embrapa, a aguardente de cana é a terceira bebida destilada mais consumida no mundo e a primeira no Brasil. Segundo o Programa Brasileiro de Desenvolvimento da Aguardente de Cana, Caninha ou Cachaça (PBDAC), a produção é em torno de 1,3 bilhão de litros por ano, sendo que cerca de 75% desse total é proveniente da fabricação industrial e 25%, da forma artesanal. O Brasil consome quase toda a produção de cachaça; por volta de 1% a 2 %, apenas, é exportado (2,5 milhões de litros). Os principais países compradores são: Alemanha, Paraguai, Itália, Uruguai e Portugal.
Após conhecer como a cachaça se tornou a ‘branquinha' mais pedida do Brasil veja como é feito o processo até chegar às mesas de bares, casas e restaurantes brasileiros e do mundo a fora.
Processos de Fabricação
Passo Inicial: A cachaça é um mono destilado do suco da cana. Primeiro é feita a colheita da cana-de-açúcar e o transporte até a unidade produtiva.
Segundo Passo: É feito a moagem da cana e a extração de seu caldo, que é denominado como mosto. Em seguida o mosto, devidamente filtrado, vai para as dornas de fermentação, onde por ação de leveduras ocorre a produção alcoólica. Após a fermentação o mosto que agora é chamado de vinho é encaminhado à seção de destilação, ou seja, a separação real da bebida, de onde é recolhida a legítima bebida brasileira “a cachaça”.
Terceiro Passo: A destilação pode ser feita por dois processos em alambiques ou em colunas.
Último Passo: Após a produção, a cachaça, geralmente é armazenada em tonéis de aço inox, aço carbono revestido ou madeira. No caso da Cambraia (a primeira cachaça artesanal da Pirassununga), a bebida é colocada em barris de carvalho de 250 litros para o envelhecimento de 1 ou 3 anos. |
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A Aqui Vip mergulhou na produção da cachaça Cambraia e a diretora da Indústria de Bebidas Pirassununga, Carolina de Tommaso Harley, conta tudo sobre a ‘queridinha brasileira'. A bebida chega ao mercado em duas versões: Cambraia 3 anos, para ser degustada pura e a Cambraia 1 ano que pode ser tomada pura ou usada como base para drinques como a tradicional caipirinha.
Qual o principal motivo para a empresa Pirassununga investir na produção da cachaça artesanal?
Estamos na terceira geração da família trabalhando com cachaça. E sempre tivemos a cultura de degustar a cachaça envelhecida, de boa qualidade, em casa, nos momentos de confraternização. Para esses momentos tínhamos nossa cachaça especial, suave, envelhecida. Além disso, a cachaça sempre foi a essência de nosso negócio, ao longo de tantos anos, e reconhecemos que no mercado brasileiro coexistem a cachaça de coluna (destilação contínua) e a cachaça de alambique também chamada de artesanal - ambas cachaças com sabor e aroma característicos da legítima bebida nacional. Quando sentimos que o mercado brasileiro estava pronto para este tipo de cachaça, mais elaborada, resolvemos fazer da nossa paixão familiar uma marca. Foi assim que nasceu a Cambraia.
Você acredita que nos últimos anos a cachaça brasileira vem conquistando espaço em outros países?
Sim, de 10 anos para cá a cachaça conquistou cada vez mais o mercado de fora. Por lá, a preferência é pela cachaça de destilação contínua, muito utilizada na preparação de drinques como a Caipirinha, mas as artesanais ganham espaço em países como Portugal e Suíça. Em contrapartida, o brasileiro com maior poder aquisitivo ao viajar ao exterior se depara com os litros de cachaça sendo amplamente comercializados e passa a valorizar mais a bebida nacional, o que incrementa o consumo interno.
Existe diferença no sabor da cachaça artesanal para a de destilação contínua?
Apesar da questão do gosto ser bem pessoal, a cachaça artesanal, em linhas gerais, é mais aromática. Porém, para que isso seja verdade, deve utilizar somente a melhor parte da destilação do alambique, refutando o que chamamos de “cabeça” e a “cauda”. Os cuidados com a fermentação e a destilação fazem toda a diferença no processo produtivo. Se o produtor não toma esses cuidados, o que acontece é que a cachaça artesanal pode ficar com um aroma e sabor bastante acentuados, porém, não característico de uma cachaça de boa qualidade. Portanto, boas e a más cachaças podem ser produzidas por meio dos dois processos.
No Brasil o consumo da cachaça supera o da cerveja ou são destinados para públicos diferentes?
O consumo da cerveja é superior, mesmo porque temos os grandes players que investem pesado em publicidade. Referente ao público igualmente.
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