Uma nova forma de gerar vidas
Para mulheres com dificuldades de engravidar,
há uma nova técnica em reprodução assistida no mercado, o congelamento
de óvulos, também chamado de vitrificação.
O congelamento consiste em preservar em nitrogênio líquido os óvulos usando uma técnica de esfriamento. A técnica mais adequada é conhecida como vitrificação, pelo fato de não produzir cristais de gelo no momento da solidificação em nitrogênio líquido, fazendo a passagem
ao estado sólido, chamado vítreo (glass-like).
Essa técnica era usada há décadas para conservar o sêmen e os embriões, mas havia resistência para os óvulos. Além disso, um estudo da “Universidade McGill de Montreal”, Canadá, publicado na revista Reproductive Biomedicine mostrou que o índice de crianças geradas com algum tipo de defeito era de 2,5%, o mesmo percentual
de crianças geradas em nascimentos naturais.
As mulheres que recorrem ao congelamento de óvulos
tomam medicamentos para estimular a ovulação por alguns dias. Na sequência, os óvulos são aspirados
a partir de uma punção, com ajuda de sedativos.
“Hoje acreditamos que praticamente não há diferença entre um óvulo congelado e um fresco. A qualidade é praticamente a mesma”, dia Raul Nakano, ginecologista e especialista em reprodução humana.
A técnica pode-se dizer, é uma revolução para as mulheres.
Diversos fatores podem dificultar a gravidez. Em primeiro lugar, é uma saída para mulheres que, por quaisquer motivos,
tiveram que retirar o ovário. Além disso, a vitrificação de óvulos pode ser recomendada para mulheres que serão submetidas à quimioterapia e radioterapia, pois são tratamentos que podem afetar a capacidade reprodutiva.
Mas não é só para causas físicas que o congelamento de óvulos é eficaz. Atualmente, muitas mulheres querem retardar
a gravidez. O auge da vida reprodutiva vai até os 30 anos, com limite de 35 anos. Recomenda-se coletar os óvulos até essa idade, pois depois de um tempo a ovulação é reduzida, bem como a qualidade dos óvulos.
“Outra vantagem é que está técnica permite a criação de bancos de óvulos, assim como já existem os de sêmen.
Há pacientes que concordam em doar óvulos para as mulheres que não os produzem”, diz o doutor Nakano, que recomenda mantê-los congelados por até 10 anos. Pacientes solteiras que têm antecedentes familiares de menopausa precoce poderão utilizar a técnica de vitrificação
de óvulos para preservar sua fertilidade para o futuro
Existe a possibilidade de a mulher fazer o processo de fertilização com óvulos frescos e não engravidar.
Depende da qualidade dos óvulos, idade da pessoa, etc. “Se a mulher for jovem, a chance de obter êxito pode ultrapassar os 50%. Se passar dos trinta anos, as probabilidades diminuem, entre 30% e 50%. A natureza
oferece cerca de 20% de chance por ciclo.”
No método do congelamento, acredita-se que, a cada três tentativas, cerca de 80% das mulheres
conseguem engravidar, por isso, muitas
vezes, é necessária mais de uma tentativa.
Problemas éticos
O doutor Raul Nakano, formado pela Faculdade de Medicina
de Ribeirão Preto e com especialização na Kanazawa Medical University e Keio University, salienta que este método
acaba com os problemas filosóficos, éticos e religiosos
acerca do congelamento de embriões. “Os óvulos são apenas células e o seu descarte não causa polêmica”.

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